domingo, 25 de setembro de 2016

soltas























o pardal parece ainda ter a penugem por baixo das penas. aparece-me aqui sempre todo despenteado e reconheço-o. ele também me reconhece e não foge. 

os meus pés fervem e passeio-me com eles nus no chão. reconheço, sem olhar, a frescura da tijoleira na cozinha, o aconchego da madeira na sala, o calor da carpete, e escolho a cozinha.

na televisão um cozinheiro holandês cozinha bombas calóricas, com a expressão no rosto de quem é feliz com o que lhe sai das mãos. é igualzinho aos cozinheiros suecos dos marretas.

mentalmente revejo o que me desagradou nos últimos dias e tento perceber o que me espelha. o que de mim há, naquilo que me embrulhou as entranhas. 

fazes-me falta. é disso que se trata. o pardal sou eu.