dizem-me que não tenho falado com elas e perguntam-me se perdi a arte de moldar o tempo. o vento fala-me da saudade de mim, e a chuva recorda-me o riso e a carícia ao recebê-la no rosto.
na verdade, tenho andada esquecida da sabedoria dos elementos, do meu eterno namoro com o ar.
há tanta poesia no encontro da chuva com a terra, tanta sintonia no som do vento nas folhas empurradas mansamente, umas contra as outras. e eu tão longe de tudo.
lembro-me de me perguntarem como, em certos momentos, vejo o que não é visível e ouço o que não é audível, e de responder, 'deixa de pensar, e ouvirás, e verás'. realmente, não tenho parado de pensar, para que possa ouvir. e é aqui, agora, neste momento, em que o único som é o que vem do céu, que eu reencontro algum equilíbrio.
gostava de ter palavras eruditas e cientificas para escrever o que sinto, citar filósofos para sustentar o inexplicável, mas não tenho.


