quarta-feira, 14 de setembro de 2016

outono












para mim é um céu já do outono, e sinto-me em casa. trago a estação no peito e o meu corpo treme de mansinho, por dentro. tudo em rebuliço. é o branco, o cinza, o azul, tudo em movimento, e de vez em quando, chove. sim, até chove. e o vento, sim, o vento que nas folhas das árvores verbaliza o que me formigueira no corpo todo.
além disso, há o mar. e há tanto tempo que não te falo do mar. mas estão marés vivas, e as ondas rebentam em peso, umas por cima das outras, espalhando pelo ar toda aquela chuva miudinha salgada com cheiro a ele.
é o outono, e nem me interessa se o calendário diz que sim ou que não, mas é o outono que eu sinto por dentro e por fora da pele.
daria o teu nome ao outono, se pudesse, e serias tu a borbulhar-me no peito, serias tu a salgar-me os lábios, serias tu a esvoaçar-me o cabelo, serias tu o arrepio na pele, serias tu onde eu perco o olhar, serias tu as gotas de água no meu rosto.