terça-feira, 6 de setembro de 2016

nem setembro parece setembro













nem setembro parece setembro. não me invade o medo do recomeço, como todos os anos, o anseio por que a vida encarreire, e o carreiro cada vez mais retorcido. deixo rolar, e os dias rolam, acontece o que tem que acontecer e vou ajustando as margens neste caminho imprevisto. setembro deixou de ser para mim o inicio do ano. janeiro também não é. então e agora?
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perguntas-me sobre o fim-de-semana. aluei e estrelei naquele céu, fiz-me terra deitada nas ervas e fiz-me água percorrendo ribeiros. fiz-me som, isso tu sabes, e no meio desse som ilimitei-me. senti os outros por dentro, como se outros eu fosse, e chorei lágrimas de uma dor que não era minha, fui compreensão e conciliação. fui espelho. fui alegria e leveza e fui caminho da manhã. fui alimento, fui palavra, aconchego e consolo. 
e o tempo perdeu as horas, e três dias podem ser anos.