sábado, 27 de agosto de 2016

eu e a melancia















até parece que é um ritual. mas não é. 
chego a casa, acendo uma vela, um pau de incenso, deito comida aos pardais, água fresca, descalço-me, prendo o cabelo e visto uma roupa qualquer que não me aperte, seja macia e não me atrapalhe. um vestido de malha justo, ou umas calças com uma camisola justa, também. 
hoje, fiz ao mesmo tempo, o almoço, o lanche, o jantar e a ceia. é dia de sair de casa sem saber a que horas volto. é dia de viajar por outros mundos, tu sabes, mesmo por outros mundos.

mas é quando arranjo e como melancia que mais me lembro dEle. fruto perfeito. sacia, alimenta, a textura na boca, aquela cor por dentro de encher os olhos, o verde resistente da casca, o sumo que escorre das minhas mãos. a vida numa melancia. tento encontrar razões para não se gostar de melancia (um dos rapazes cá de casa não gosta, torcendo o nariz), e encontro. lá está, a vida numa melancia.

quando sair vou colocar uma echarpe, cor de melancia e vou sentir-me forte por fora e suculenta por dentro.

(estou a rir-me, claro, do disparate que escrevo)