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o facto é que ela fecha portas atrás de si e nunca volta aos lugares que lhe doeram. há locais que nos deixam marcas no corpo e na alma, povoados por pessoas que cortam, que permitimos que nos retalhem. então, depois de ferida, bate a porta numa viagem sem regresso. e começa de novo.
agora, a vida leva-a de volta ao passado e aponta-lhe o dedo às feridas. coloca palavras na boca dos outros, veste atitudes rudes em corpos pacíficos, transporta-lhe o pensamento para locais esquecidos, e mostra-lhe o que ela não quis ver, e diz-lhe que abra as portas, volte àquele tempo, reconheça as feridas e converse com elas, que as acarinhe.
depois, poderá continuar o caminho.
vê a sua imagem reflectida no espelho do elevador. já é o dia seguinte e esteve ali o tempo todo a fingir que gostava do que ouvia, enquanto o que estava a gostar mesmo, era da lua cheia ali no céu, mesmo em frente aos olhos.
tenho que me contrariar, tinha ela repetido vezes sem conta para se obrigar a ir ao jantar e ao concerto ao ar livre. e contrariou a sua sempre vontade de ficar em casa. e foi, e riu, e dançou, e falou.
fecha os olhos e pensa de si 'esta não sou eu'.