sentada, aqui no lugar do costume, sinto uma ligeira brisa passar por mim e o aroma das flores que tenho na varanda, cujo nome nunca me lembro. é a paz. leio as dezenas de mortos espalhados em atentados por esse mundo fora, esses que já não valorizamos, porque afinal de contas, são notícias de todos os dias, e, sento-me aqui quietinha e sei que tenho, abrigo, comida, agasalho e trabalho. trago comigo memórias de vidas vividas em guerras, memórias reflectidas em satisfazer-me com este pouco, memórias visíveis a quem vê com olhos sem ser de ver.
um nome. um título. o íntimo de mim. uma dor no estômago, e os avisos 'tens que ter cuidado com o teu plexo solar'. eu sei.
trago as vidas coladas à pele e a sensação de que está tudo ao contrário, quando sei que não há contrário nem conforme, tenho as memórias fora de tempo.

