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sussurro-te ao ouvido.
de que outra maneira poderia sussurrar senão ao teu ouvido...e roço os meus lábios nele enquanto articulo as palavras.
poucas.
que nós somos de palavras poucas.
- esta é a minha hora. a hora do sossego. do silêncio, cortado por um sino numa igreja qualquer, longínqua, que resolveu anunciar as vinte e uma horas, pelo marulhar do vento nas folhas das árvores, e eu nunca saberei descrever este som que me acalma e me abriga, e as andorinhas que lá longe anunciam que recolhem aos ninhos.
também eu recolherei em breve ao meu, onde estou contigo, sem ti.
sobram tantas palavras quando tu não estás.
e muffins.
lembra-se naquele momento que de manhã recebeu uma mensagem 'como se fecha aqui a porta do vento?'.
ela, sai para a rua, como todos os dias, e percorre a marginal, como todos os dias. não ver o mar logo de manhã é trazer os olhos vazados, de um vazio profundo que lhe arrefece a alma, sem que ela saiba o porquê. só mais tarde se lembra 'hoje ainda não vi o mar'.
o ar está frio e o vento sopra forte de norte. costuma ser assim o agosto naquela terra, e não devem tardar muito as marés vivas que enchem o ar daquele salpicar das ondas a rebentar. os veraneantes reclamam. vêm enganados das terras quentes e abafadas do interior, e quando chegam à praia nem a camisola conseguem tirar. no entanto, outros se vêm, aconteça o que acontecer, é para estar na areia e tomar banho de mar. e estão, e tomam. ela, ela passa e olha e sorri para dentro, porque ninguém percebe que ela possa ter motivos para sorrir só de poder ver o mar, sentir-lhe o cheiro e o vento a passar-lhe por entre os dedos da mão aberta, fora da janela do carro.
como todos os dias atravessa aquela avenida que vem do mar, aquela que tem as portas abertas e faz sempre aquela correnteza de vento forte e frio. aceita tudo, poeira, folhas, vestido num turbilhão, cabelo desalinhado. tudo, e atravessa em passo lento, como quem saboreia um segredo. e saboreia.