coça-se. sabe que não deve mas coça aquela mancha que lhe apareceu, desta vez na perna.
a vida é tão absurda, pensa. tão absurda.
na véspera, o médico interrompeu a consulta para lhe dar um abraço. falavam de espírito e carne, de sexo e sentimento. ela ali com as ideias tão direitinhas a saírem da boca para fora, e naquele momento, com o sol a amornar-lhe os pés, o cheiro a manjericão e relva cortada, acha tudo um absurdo, a sua vida, um absurdo.
veste-se, perfuma-se e sai para a rua. a serenidade em pessoa.

