mas hoje, aparece-me ela no pomar, e a pergunta do costume - como estão os teus filhos? - e a resposta do costume - eles acham que estão bem - e a gargalhada do costume a fazer de conta que sou totó - e o ar de pêsames quando me dizem - os três na faculdade, não deve ser fácil - e a resposta do costume - tudo sempre se resolve.
mas vai daí, que a amiga perfeita resolve contar-me da irmã, que com quatro filhos, todos eles já crescidos e adultissimos, filhos dos mesmos pais, criados da mesma maneira, e não é que um que só deu trabalho toda a vida, não queria andar na faculdade, lavava o cabelo com ovos mexidos, chega aos 26 anos e resolve pedir uma segunda oportunidade à mãe e tira o curso de farmácia, e é um óptimo profissional. já outro, óptimo estudante, licenciado em direito, estagiou nos melhores escritórios nacionais e estrangeiros, com lugares prometidos em todo o lado, perde-se da cabeça por uma brasileira e desgraça tudo o que conseguiu, carreira, dinheiro, tudo, com fins-de-semana loucos no brasil, com férias loucas da brasileira, cá, com o dinheiro de sabe-se muito bem que, diz a minha amiga.
eu ali, deus me perdoe, deliciada a ouvir. todos os improváveis da pessoa improvável. a minha vida também improvável, a pensar, que só anjos, só anjos, nesta fase da minha vida, poderiam fazer aquele momento acontecer, para me rerrerrerrelembrarem que tudo muda, que não adianta antecipar dramas, preocupações, nadica de nadica.

