o meu modo de descansar é este [e lamento se não me faltas], sentada aqui, olho em frente. se o vento sopra de sul, as folhas das árvores mostram-se verdes, se o vento sopra de norte, as folhas das árvores são prateadas. a acompanhar-me, está o silêncio.
há dias vi no facebook fotos de casais de férias por todo o lado, sorridentes, felizes, pés aos pares duplos com o mar ao fundo, caras sorridentes com a serra pelas costas, copos de sangria aos pares em esplanadas na praia. questionei-me nesse dia, se estivesses aqui, se estivesses comigo, se também nós postariamos no nosso mural, os nossos rostos sorridentes com o mar ao fundo, os nossos dois pares de pés pousados numa cadeira, com a serra em frente, ou os nossos copos de sangria ou cerveja fresca numa qualquer esplanada.
aqui, agora, sozinha, não estou a sorrir mas estou em paz. na verdade não te sinto a falta, e as árvores, que ao sabor do vento, ora são verdes, ora são prateadas, bastam-me. agora [ainda por cima o vento uiva e fala no marulhar das folhas].
fui aparelhada, como diz o poeta, para gostar de silêncios.


