terça-feira, 5 de julho de 2016

rio












queria ser rio e ver-te passar com o peito cheio de querer-me ver e de ser frescura e calma e murmúrio de água ondulante, e com sorte, foz, para ti. 














eu gostava de falar do pardal, mas ainda não foi desta


























é o pardal mais feio que eu já vi. ainda tem penugem no topo da cabeça, parecendo uma popa, e tem as penas todas desalinhadas. ao contrários dos outros, redondinhos e fofinhos, come sozinho, não está à espera dos adultos para lhe enfiarem a comida no bico. é uma criatura de deus, como as outras, como eu, vocês, o papa, o ronaldo, o george clooney, o meu vizinho gordinho e amortecedor.

eu sou pasmada por natureza, desde sempre. e pasmo, a olhar para o pardal, da mesma forma que pasmo a olhar para a elegância das violetas que tenho aqui ao lado. eu acho que perdemos a sintonia, a união, com a natureza, com a terra e o céu. esquecemos-nos que somos todos parte do mesmo, que a terra que nos alimenta, se alimentará de nós. deixámos de perceber o voo das aves, o significado das marés, de ouvir a linguagem das árvores e os uivos do vento. agora, com os olhos e o pensamento metidos nos ecrãs, perdemos a conexão com tudo o resto. mas temos muito conhecimento, lá isso temos.

os pardais não roubam as peças dos autoclismos do café onde habitualmente vou. deve ser essa a diferença...


pois...a fotografia está fosca porque os vidros estão sujos.