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é esta a hora.
sento-me ao lado da porta aberta da varanda. está quase, quase de noite. ainda ouço os chilros das andorinhas que recolhem aos ninhos, o murmúrio do vento nas folhas das árvores, e o silêncio dentro de casa, interrompido pelos meus dedos que batem nas teclas. ao longe, também toca um sino. a aragem fresca chega aqui, onde escrevo. são uns minutos de paz, do descanso da noite.
quando as andorinhas se calarem
(tens maneiras tão subtis de me dizeres, não dizendo.)
enquanto, com as duas mãos amasso a massa em cima da pedra do balcão da cozinha, a pedra fresca, a massa morna, e eu naquele ritmo que só paro quando a massa diz, pára, lembro-me de que um dia, há cerca de 52 anos, a minha mãe almoçava em Nampula umas empadas que achou tão deliciosas, que pediu que chamassem o cozinheiro. O homem, negro, deu-lhe a receita, alertando que aquilo só para a paciência de um preto. agora, todos os dias, amasso, logo pela manhã, com a paciência de um preto, o equivalente a oito receitas da massa, às vezes mais. de vez em quando recebe uma mensagem a agradecer as empadinhas milagrosas, deliciosas, que sem elas já não passam.
isto faz-me pensar nas voltas que a vida dá, e sorrio. tudo pode acontecer, sempre...