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abro os braços, fecho os olhos e recebo por inteiro o vento e o sol. o meu vestido esvoaça, os meus cabelos desalinham, ainda mais, inspiro. por dentro e por fora, este vento que me envolve terá passado também por ti, traz-me, sem que o saibas, carícias da tua pele. a terra, debaixo dos meus pés nus, está ligada ao chão que pisas, também.
diz-me, o que é a distância?
agora mesmo, acendo uma vela, um pau de incenso e 'vamos lá pessoal ajudar-me neste bolo'. o meu avô cozinhava que era uma maravilha, e a minha avó também.
um dia destes, estava eu aflita com um pedido de um bolo. uma fotografia que eu tinha colocado no facebook e que nunca mais me tinha lembrado. a receita desaparecera e o pedido ali. 'quero este, está tão bonito...'
então eu virei e revirei a casa toda do avesso à procura da receita, e nada. em lado nenhum. foi aí que, e tu sabes como eu sou, pois sabes, foi aí que acendi a vela, o incenso, e convoquei o pessoal que já cá não está, mas está, para a cozinha. 'ajudem-me, vamos fazer um bolo...'
manteiga, açúcar, farinha, ovos, amêndoa, leite se necessário, baunilha, tudo sem balança, tudo nem sei como. 'uma delícia, ai o bolo...estava tudo muito bom, mas o bolo...'. e foi um tal sair dos bolos 'deles', que me põem a cozinhar sem balança e a falar sozinha, e a rir e a cantar.
então hoje, repeti o ritual, para oferecer a uma amiga, e para ver se, finalmente, eu provo o tal do bolo.
(e eles vieram :))