o pardal veio morrer para aqui, para a varanda. pousou, com as penas daquela forma que eles têm quando estão doentes, pôs a cabeça debaixo da asa e assim ficou. não fugiu quando me aproximei para pôr comida mais perto dele. não se assustou enquanto pendurei a roupa no estendal. mais nenhuma ave ali pousou enquanto ele esteve, como se respeitassem aquele recolhimento. eu, esfreguei as mãos uma na outra, pedi a ajuda dos anjos das aves e dos espíritos das árvores para que acontecesse o que fosse melhor para ele, e aproximei-as dele, em concha. elas aqueceram, aqueceram muito, o pássaro permaneceu quieto e os meus olhos fechados viram uma ave transparente levantar voo. percebi que ele partia ficando liberto daquele corpo doente que em breve tombaria na floreira. apanhei com cuidado aquele ser ainda com vida, deitei-o dentro de um vaso sem terra, e nesse instante deixou de respirar. a ave já tinha partido, o pardal morreu ali.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
o pardal
o pardal veio morrer para aqui, para a varanda. pousou, com as penas daquela forma que eles têm quando estão doentes, pôs a cabeça debaixo da asa e assim ficou. não fugiu quando me aproximei para pôr comida mais perto dele. não se assustou enquanto pendurei a roupa no estendal. mais nenhuma ave ali pousou enquanto ele esteve, como se respeitassem aquele recolhimento. eu, esfreguei as mãos uma na outra, pedi a ajuda dos anjos das aves e dos espíritos das árvores para que acontecesse o que fosse melhor para ele, e aproximei-as dele, em concha. elas aqueceram, aqueceram muito, o pássaro permaneceu quieto e os meus olhos fechados viram uma ave transparente levantar voo. percebi que ele partia ficando liberto daquele corpo doente que em breve tombaria na floreira. apanhei com cuidado aquele ser ainda com vida, deitei-o dentro de um vaso sem terra, e nesse instante deixou de respirar. a ave já tinha partido, o pardal morreu ali.
de passagem
a marta varre, como de costume, tomando conta, com aquele vaivém da vassoura, de todas as pessoas da redondeza. bom dia marta! digo eu, vendo ali aquele bocadinho do quénia que escapou à desgraça das notícias que me passam pelas mãos. bom dia! diz-me ela, bom são joão! grita, pois eu já tinha passado a pensar naquela vez que ela disse - a senhora sabe falar com os pretos - como se se falasse diferente com os pretos - e eu a rir.
mais à frente um carro daqueles que parece de brincar, como aquele em que o meu filho anda por vezes e que explicou o pai à juíza que só o comprou para mostrar ao filho como se faz um mau negócio e eu a pensar que ele ri-se com um mau negócio propositado enquanto não ajuda na educação dos filhos com uma pensão de alimentos e que ali deve haver alguma coisa que não bate certo e que se calhar sou só eu que penso isso e que talvez isso também seja sinal de que eu estou ao contrário em mais coisas para além do cansaço. (este parágrafo não merece vírgulas)
[caramba, os pardais parecem doentes, ou será das orvalhadas do são joão?]
há quem deixe tigelas de água limpa nos passeios para os animais sem dono, deve ser boa gente.
já escrevi demais e já estou atrasada.
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