domingo, 19 de junho de 2016

também um post em tempo real enquanto o pc balança nas pernas, ao ritmo do teclar























quando os olhos se fecham, rendidos ao sono, vejo a lurdes, a empregada da vizinha, a lavar panos brancos. estremeço, abro os olhos e reparo que o céu ainda está levemente azul. são 21h38 e ainda não está de noite. o altissimo devia ter consideração por quem tem o corpo cansado.
teimo em não me deitar sem a companhia da noite. ponho uns óculos escuros, faço de conta que já anoiteceu e deito-me.
lá fora uiva o vento norte e as mulheres das roulotes apregoam farturas quentinhas, os meus pés descalços revoltam-se perante a ideia. só aceitam o caminho do quarto, afinal de contas amanhã é segunda-feira e o meu fim-de-semana começou há quatro horas, precisamente.







chão























sento-me no chão, em frente a ele, e ele pergunta-me o que quero saber. respondo-lhe que só quero ouvir o que não consigo ouvir e ver o que não consigo ver. ele que fale, eu ouvirei. 
então ele fala desta vida e de outras, de caminhos e ensinamentos, de pesos e de aprendizagens. fala de vibrações e do que atraímos conforme aquela em que estivermos. fala-me de emoções e das minhas carapaças e defesas que me minam por dentro. fala-me de eu não me permitir receber e de não abrir o coração ao amor. e do mal que isso faz. fala-me da humildade e de andar com os pés na terra, no chão. fala-me de só ver um ponto quando a paisagem tem tanto que olhar, e diz-me que desvie a atenção para poder ver mais largo, mais amplo. para quando tiver um problema, não me deixar absorver por ele, para permitir que outras ideias apareçam, que outras saídas surjam. fala-me das emoções e do amor, do acolhimento e do aconchego, da partilha, de ser inteira. de tudo isso que nunca fui, que não tive, que não dei, e que agora me faz tremer o coração. fala-me do bem que faz, sentir os pés no chão, na areia, na água do mar.

ele falou-me de dentro de mim. eu ouvi mais do que o que ele me disse.