segunda-feira, 13 de junho de 2016

coisas simples















pegar no telemóvel e ligar-te. poder dizer - estou perdida. e ouvir. e sem o dizer, tu perceberes que a vida me pesa no peito. e sem o dizeres, eu sentir, o dia a aliviar. e estando aqui, tu saberes, que eu estou aí.

















o desejo de estar aí provoca-me este burburinho, dois centímetros acima da pele. e sinto-te.
ele, diz que me sente sempre presente. eu não me sinto lá.
leva-me a crer que o desejo de estar faz com que esteja.

hoje, pela primeira vez, queria poder pegar no telefone e falar-te. perguntar o que fazer

praia













estava ali a ler o post do pipoco sobre a praia e dou comigo a pensar na praia daqui, frequentada por gente como aquela dali. é pertinho daqui de casa, pode-se até ir a pé, são 10 minutos.
mas eu meto-me no carro e vou para outra freguesia, dali do outro lado do rio. as pessoas chegam com lancheiras, tapa-ventos e barracas, mas alguns metros para sul, ou outros até para norte, a praia endeserta-se e é para aí que me chego. mas as pessoas não usam colares ao pescoço, calções de banho sacoor nem polos ralph laurent, nem chapéus de abas largas. 
um tapa-vento acima da minha toalha, um casal aproveita o dia manso de quase-verão. terão cerca de sessenta anos, ela está deitada de barriga para baixo, as coxas largas obrigam a que as pernas se afastem. o homem, sentado ao lado dela, com uma lâmina de barbear na mão, tira-lhe com todo o cuidado e carinho, alguns pelos esquecidos na parte de trás da perna, perante os olhares de quem olhar.
na minha aparente solidão, sinto-me protegida por humanos assim, na vizinhança da areia.