quarta-feira, 1 de junho de 2016

mexer
















quando o primeiro dos meus filhos a nascer, com cerca de dois ou três anos, na altura, sentia saudades porque não estava perto de quem queria. dávamos-lhe o telefone para ele falar com esse alguém.
- não quero - dizia - eu quero mexer nele.

eu também quero.














ratoeiras















a dona conceição, a senhora que uma vez por semana, vem cá a casa fazer limpeza, quer montar armadilhas na varanda, daquelas ratoeiras dos ratos, cobri-las com aveia, para apanhar os pardais e depois fazer arroz de passarinhos. ela não entende que eu compre carne no talho, e, que, no entanto, não a deixe caçar os pardais para comer. ela tem razão.

o que ela não entende é que gosto de os ver livres a voar, a voltar porque querem, nem que seja para comer, porque confiam que aqui há abrigo, alimento e paz. no fundo, tudo o que pedimos da vida.