terça-feira, 24 de maio de 2016

cuscus de couve-flor





























almoço no meio do maior silêncio possível. gosto tanto, mas tanto de tudo o que me traz o silêncio, que até me assusto com este gostar.

enquanto como cuscus de couve-flor com atum, penso que ontem morreram 145 pessoas na síria, vítimas de atentados do estado islâmico, que, quando reivindicou os ataques, reconheceu que menos mortos teriam mais impacto se fosse na europa. a síria é longe, pois é, é o médio-oriente, e, embora seja médio, é oriente, e nós aqui, no ocidente, nem precisamos de mudar o perfil do facebook, nem nada.










eu sei que sou uma seca. gosto do tal do silêncio, de estar só, encanto-me com o 'mar me quer', adoro couve-flor quase crua, adormeço com os óculos postos, às dez da noite, com o telemóvel na mão, enquanto te escrevo, acredito que vou conseguir falar com essa árvore, aqui à minha frente, vejo culminares de amor na foz de cada rio, atraso o meu trabalho todo por essa pardala manca e pela melra apaixonada, por mim, claro. de vez em quando, foge-me o pensamento para esses povos assustados, para essas mães com filhos para criar, para crianças que procuram infância entre escombros, cadáveres e fome. é uma merda não conseguir pensar só na pardala.





quem me dera mais umas horas de silêncio e paz. 
sorrio para a árvore, e, olha...tu que vês com o corpo todo, também deves ver sorrisos na serenidade das árvores.