sábado, 21 de maio de 2016

melra































enquanto o chá arrefece, sigo com o olhar o voo dela, para o cimo de uma árvore do outro lado do jardim. a melra reconhece-me de outras vidas, enterneço-me a acreditar. fica calma na varanda a olhar para mim, sem desconfiança. não foge como os pardais. falo com ela em voz alta e confesso-lhe o meu querer tão distante. ela fala-me das estações e do tempo e da calma das árvores, e fala-me do vento e das nuvens, da rotação da terra e das idas e vindas da natureza, e de tudo o que os olhos do corpo não vêm. só não me fala de pele, da minha, tão ausentada da tua.