domingo, 15 de maio de 2016

terra


















é em dias como este e como os outros que eu queria uma casa no campo. como a da música dos capicua. uma casa como já tive e deixei para trás com uma vida inteira também.
mas o que eu queria mesmo era mexer na terra, na terra sem ser em vaso, naquela terra que não sabemos onde vai dar, ao outro lado do mundo talvez, como quando eu era criança e escavava a pensar que ia encontrar um canguru do outro lado do mundo.
mas as saudades que tenho é de ver as plantas crescerem e as árvores florirem e esperar pela glicinia e sentir as estações em tudo o que me rodeia, e alegrar-me com a chuva no tempo da chuva e o sol no tempo do sol e recear os tempos trocados.
mas hoje, mais propriamente hoje, o que me apetecia mesmo era arrancar ervas daninhas daquelas com as raízes muito grandes e fundas, como os trevos, e enfiar os dedos pela terra húmida e fria e tactear até encontrar o final da daninha e puxar com cuidado e senti-la a soltar-se da terra, lentamente, resistente, inteira.
eu quero ter uma casa no campo e sentir o pulsar da terra por baixo dos pés nuns.
quero mesmo.

















post sem nome
































cinco pardalas e um pardal na varanda, bicam aveia para levar para os ninhos. calculo que já haja filhotes por aí a piar e reforço a quantidade de comida que lhes deixo.

pela primeira vez desde que começaram a nascer filhos de mim, e já lá vão 22 anos, fechei a porta do quarto. deitei-me. dormi, de vez em quando ouço tossir no quarto do lado.

uma pardala coxeia encolhendo a patinha, mas mesmo assim leva comida para o ninho.

a maternidade é um lugar estranho. olho para ele do lado de fora do coração magoado, do lado frio.

eu continuo a olhar para os pardais, e agora um casal de melros em que o macho alimenta a fêmea.

a manipulação é uma arte requintada. sem faltar à verdade, constrói-se uma mentira. com um sorriso nos lábios desconstrói-se uma vida.

eu sei que não se diz pardalas...só para que conste...

ligo a televisão num canal que ninguém gosta...sabem porquê, pois sabem...

a porta do meu quarto continua fechada­­­­­­­­