a mulher é uma chata. uma melga. cola pegajosa. não há um momento em que não entre pelo meu telemóvel dentro com um trrrimmm ou lá que barulho faz o messenger, aparece a cara dela dentro de uma bolinha, e pimba... queixas, lamurias, dúvidas, milhões de dúvidas e pedidos de conselhos e de orientação e a p... o que acha... e não sei se ele é sincero, e o outro se gosta dela, e senão fica com o tal, e o trabalho que tanto quer, e já agora se lhe faço um bolo de amêndoa que o outro estava maravilhoso. ufa! e eu, com o chat desligado, de vez em quando uma palavra, passado um bocado outra, e ela cheia de agradecimentos, e eu com um peso medonho na consciência. agora, enquanto as árvores abanam feitas doidas lá fora na noite, faço a pergunta do costume - o que é que esta mulher vem me mostrar? o que é que em mim eu tenho que ver? e concluo que tudo. os medos, as dúvidas, as inseguranças. e agradeço. e agradeço-te a ti que me aturas.
quando ela descobriu que seguia regras, começou a quebrá-las, uma a uma, guardando os cacos miudinhos num saco velho do pão, que escondia na gaveta da roupa interior. eram regras de porcelana fina, discretas e frágeis.
"A prece maior é ser feliz por nada. É agradecer por
tão pouco. É amar até quem não nos ama. É respeitar os limites, os medos, as
diferenças. É perdoar as ofensas, os erros, os espinhos. É ter os olhos voltados
para o sol. É ter o coração tranquilo. É levar uma semente de esperança onde a
flor da vida já secou faz tempo. A prece maior a gente não faz ajoelhado, a
gente faz sorrindo..."