domingo, 8 de maio de 2016

melga















a mulher é uma chata. uma melga. cola pegajosa. não há um momento em que não entre pelo meu telemóvel dentro com um trrrimmm ou lá que barulho faz o messenger, aparece a cara dela dentro de uma bolinha, e pimba... queixas, lamurias, dúvidas, milhões de dúvidas e pedidos de conselhos e de orientação e a p... o que acha... e não sei se ele é sincero, e o outro se gosta dela, e senão fica com o tal, e o trabalho que tanto quer, e já agora se lhe faço um bolo de amêndoa que o outro estava maravilhoso.

ufa!

e eu, com o chat desligado, de vez em quando uma palavra, passado um bocado outra, e ela cheia de agradecimentos, e eu com um peso medonho na consciência.

agora, enquanto as árvores abanam feitas doidas lá fora na noite, faço a pergunta do costume - o que é que esta mulher vem me mostrar? o que é que em mim eu tenho que ver? e concluo que tudo. os medos, as dúvidas, as inseguranças. e agradeço.

e agradeço-te a ti que me aturas.














cacos















quando ela descobriu que seguia regras, começou a quebrá-las, uma a uma, guardando os cacos miudinhos num saco velho do pão, que escondia na gaveta da roupa interior.
eram regras de porcelana fina, discretas e frágeis.

















prece



















             "A prece maior é ser feliz por nada. É agradecer por tão pouco. É amar até quem não nos ama. É respeitar os limites, os medos, as diferenças. É perdoar as ofensas, os erros, os espinhos. É ter os olhos voltados para o sol. É ter o coração tranquilo. É levar uma semente de esperança onde a flor da vida já secou faz tempo. A prece maior a gente não faz ajoelhado, a gente faz sorrindo..."


Cris Carvalho