quinta-feira, 28 de abril de 2016

história verídica
















manuel mostrou a escrita de pedro a maria. escreve bem, gostas? maria gostou da escrita e gostou de pedro. manuel não sabe que maria gosta de pedro. 
manuel gosta de maria e envia-lhe poemas que pedro escreve e que não são para maria.
pedro escreve poemas de amor para luisa. maria gosta de pedro. manuel gosta de maria. manuel envia a maria poemas que pedro escreve para luisa.
quando maria sente saudades de pedro, manuel manda-lhe um poema escrito por pedro, sempre poemas escritos por pedro.
ao que se sabe, maria conhece o manuel que não conhece o pedro que não conhece a maria e que escreve para luisa, o manuel.



















monocromático






























percorro a marginal em busca de vitalidade nas ondas do mar, mas as águas estão calmas e o azul, para variar, marinho. também o céu está monocromático, de um azul, hoje, celeste. como tu gostas, mas eu não. o relvado em frente a casa estava todo polvilhado de florinhas brancas, rasteiras, e, assim que eu disse 'tomara que não venham as máquinas de cortar a relva" chegou-me o barulho perfumado da erva em gritos a ser cortada. também o relvado ficou de um verde erva.

parece que as cores estão todas no seu lugar, o azul celeste, o azul marinho e o verde erva. monocromáticas, as cores, sem sinais de vida, não fosse o vento agitar algumas folhas das árvores, onde se abriga a passarada, aqui mesmo em frente à varanda.

o meu corpo tem sede de água do mar, de salpicos das ondas, de sol na pele e de vento leste. já a minha alma, está monocromática, também.

chego a casa, coloco cebolas de molho, descalço os sapatos, espalho sacos pelo chão da cozinha, sento-me a escrever, como todos os outros dias, mas dentro do peito, é assim como se agitassem as correntes que anunciam alteração das marés. tu sabes? depois, fecham-se as barras e os portos para não pôr em risco a navegação. mas há sempre aqueles que são apanhados em alto mar, pois há...

















eu gosto tanto de ti.
brinco com as palavras para imaginar o teu sorriso. dou-te o meu tempo sem que tu o saibas, e olha, fico com o meu dia todo emaranhado, enrodilhado