terça-feira, 19 de abril de 2016

este céu

























sim, foi para mim. fizeste com que o meu olhar se levantasse deste ecrã, e visse, este céu. como quem dá colo, como quem diz que tudo muda, que tudo vai correr bem, como quando me abrigavas naquele abraço de mulher crescida ainda menina, como quando me dizias para ter paciência, e eu tinha, e eu tive, e tenho.
a tua mão já não se ampara morna no meu braço, mas conduz-me o olhar, e tu não precisas de palavras para que te ouça, como estas palavras, que só descansaram quando foram escritas, assim, depois de ter apagado tantos textos que recusaram ser mensagem.

escrevo sim, porque transbordo, escrevo também, para que transbordem.





























cinza














hoje o mar tomou-se de carinhos pelo rio e uniram-se num cinzento único, num só arrepio, num só brilho.
não conseguirias distinguir a foz, a não ser pelo findar das margens e o horizonte sem fim.
Também hoje, o meu corpo é rio, é mar, é cinza.