segunda-feira, 4 de abril de 2016

segunda-feira














a d. fernanda anda pelas costuras. o corpo e a alma a pedirem-lhe poesias e os dias a exigirem-lhe canseiras. o corpo e a alma a pedirem-lhe mudanças e a vida a exigir seguranças. a vida a mostrar-lhe urgência e os dias a escorrerem.

naquela segunda-feira acordou zangada, o raciocínio entupido, o retomar das exigências e os sonhos a alonjarem-se. no ar pairava uma voz que lhe dizia que o tempo esgota-se e o ecrã devolve-lhe a imagem que o comprova. 

foi nas pequeninas coisas que ela se revoltou, a sobra do almoço que será comida no dia seguinte, a assadeira que não lavou, o texto que não escreveu, o sorriso que não deu. ninguém se apercebeu, e, depois de tornar a dormir, e a seguir a um novo acordar, a vida continuará igual, carregará as canseiras, jogará pelo seguro, deixará os dias escorrerem e os sonhos a alonjarem. a imagem no ecrã, nem vai ver.