naquela segunda-feira acordou zangada, o raciocínio entupido, o retomar das exigências e os sonhos a alonjarem-se. no ar pairava uma voz que lhe dizia que o tempo esgota-se e o ecrã devolve-lhe a imagem que o comprova.
foi nas pequeninas coisas que ela se revoltou, a sobra do almoço que será comida no dia seguinte, a assadeira que não lavou, o texto que não escreveu, o sorriso que não deu. ninguém se apercebeu, e, depois de tornar a dormir, e a seguir a um novo acordar, a vida continuará igual, carregará as canseiras, jogará pelo seguro, deixará os dias escorrerem e os sonhos a alonjarem. a imagem no ecrã, nem vai ver.

