segunda-feira, 28 de março de 2016

ele




























ele não sabe, mas eu sei que ele traz pó de fadas consigo. eu desconfio que quando ele viaja ao mundo delas, elas, enamoradas, deixam-lhe ficar por entre abraços e malícias, o pó preso no cabelo, colado na pele, aninhado entre os dedos.
então ele chega, com aquela magia toda da alegria, e o tempo expande, e para tudo o que eu pensava que as horas que eu tenho no dia, não iriam chegar, ele vem e cabe a vida toda naquele tempo, e tudo o que tem que ser feito, é feito, e tudo o que eu pensava que não tenho capacidade para fazer, só por ele estar perto, torna possível que eu faça tudo, que eu possa tudo, que o meu pensamento dispare. como que por magia. 
ele não sabe, mas eu sei, como tudo se ilumina, e ele brilha, quando ele se ri, e como o mundo é tão meu amigo quando ele abraça.

ele é livre, ele é luz, ele é caminho.

eu fui fadada para ser livre, para ser pele, para seguir o meu caminho, só.














vento














há vazios que tomam conta do corpo e de alma de forma mais persistente do que todas as razões para sorrir. 
nestes dias, sento-me a ver o planar das gaivotas e a forma como elas aproveitam as direcções dos ventos.