terça-feira, 22 de março de 2016

limos















tento enganar o tempo para poder chegar a ti, como se me sobrassem horas límpidas por entre os limos de que são feitos os meus dias. 

numa cumplicidade com os elementos, faço com que me sintas em todas as formas que tem o mar, em todos os tons de que se veste o céu, a cada toque do vento no teu rosto.

tu sabes.

















equilíbrio

























Cansada, a mulher responde-lhe - equilíbrio, preciso de equilíbrio. 
O homem, sentado no chão com a cabeça curvada, pergunta-lhe mais uma vez - tens a certeza de que é isso que queres? 
Ela, sabendo que ele vê para além do que ela lhe mostra, estou cansada, preciso de sossego, de paz comigo mesma. 
E isso é equilíbrio?...é isso que queres...achas que esse equilíbrio te vai fazer bem? 
Sei lá, Pode acontecer-me como aos marinheiros quando chegam a terra e não sabem andar de tão habituados que estão com a ondulação. Mas diz-me, o que estás a pensar. 
O homem levanta a cabeça, olha para ela, levanta a mão à altura dos olhos e traça uma linha no ar. Aqui está o equilíbrio. Desenha outra linha bastante mais acima que representa o ódio. À mesma distancia mas para baixo, colocou o amor. Para teres o equilíbrio tens que aproximar tanto um como o outro deste plano. Não odiarás nem amarás. 
A mulher, sentada no chão, olha para o xamã que se transforma quando integra aquele circulo sagrado, e diz que não, que não poderia viver assim.
Bem me queria parecer, responde-lhe, tornando a baixar a cabeça e fechando os olhos. Tu tens que viver no desequilibro.