sabes, chove lá fora. o céu azul da manhã deu lugar a nuvens pingonas. os pardais andam em bicos de patas na varanda molhada, saltitando por entre a aveia. daqui, eu sorrio pensando em ti enquanto me debato com a boca cheia de espinhas de um carapau que com descuido meti na boca.
a casa está em silêncio, mas, se prestar atenção ouve-se o motor dos frigoríficos e da exaustão. nada mais. não devias ser assim, digo para mim mesma, não devias gostar tanto de silêncios e de vazios, não devias ver o mundo no saltitar de uma ave, não devias contentar-te com tão pouco, com proximidades de alma.
gosto muito de ti. mas gosto tanto de ti que fico quietinha nesta esperança de que a corrente da vida cuide de nós.
mais uma vez.


