sexta-feira, 11 de março de 2016

tempo













é tempo de começar a desligar das memórias que ficaram daquele dia. uma a uma. lentamente. a sala, as pessoas, as palavras, as palavras, as palavras, as palavras, a expressão desorientada daquela criatura enquanto sucumbe, sem o saber, ao seu próprio veneno, enquanto é vitima da sua própria vingança.

exausta.

dou-me mal com sentimentos mansos, como a pena, a tristeza e o amor. 
o meu corpo cansado, adormece.

eu sou de fúrias e de alegrias. de paixões e de inconstâncias.
















o professor




























o rapaz resolveu filmar os pardais na varanda, ao amanhecer, para a cadeira de multimédia. pousou, ou antes, pousei-lhe eu a câmara na mesa da varanda, aquela que tem as cadeiras iguais às tuas, e deixei o aparelho a filmar enquanto preparei merenda e pequeno-almoço e 'zé, despacha-te, olha que já é tarde, e nem sei se aquilo está a gravar'.
às sete da manhã não se passa grande coisa, a rua está quase parada e os pardais vieram a medo, estranhando aquela coisa preta pousada na mesa.
...
'o professor fez-me um elogio', conta, 'diz que excepcionalmente o meu trabalho vai poder ter 10 minutos, enquanto os dos outros só terão cinco. diz ele que se passa tanta coisa naquele filme que deve ser visto. o sol nasce, os pássaros vão aparecendo, depois fica tudo vazio outra vez, entretanto passa um carro...'
aqui, deste lugar onde me sento horas a fio a trabalhar, vejo os pardais, como sabes. parece-me que há mais quem saiba ver muito no nada.