terça-feira, 8 de março de 2016

mão













- estiveram ali os anjos todos, assegura-lhe ela. todos. com ele que escapou por um segundo. um segundo, repete, e comigo que apaguei, não ouvi nem me lembro. a minha mãe é que ficou toda abananada.
por um segundo o rapaz não foi atropelado pelo metro e as mulheres ali a olharem, a verem-no atravessar a linha, com os phones nos ouvidos, no mundo dele, com vontade de chegar a casa.
de repente todos os cenários passaram pelo pensamento delas. a vida num segundo.

- bebe um cálice de vinho em honra da vida dele, diz-lhe o amigo. e ela beberá, assim que conseguir livrar-se daquela sensação de peso no corpo.

estiveram ali os anjos todos naquele momento. todos.

- deram-te uma segunda vida, zé. usa-a bem, dir-lhe-à. 




sentou-se para jantar e disse-lho.
quebrou todas as regras e comeu e bebeu o que não devia, para aquela hora.
percebeu porque todo o dia sentiu a mão morna, dele, pousada na sua.


















vivan las mujeres