os pardais abrigam-se da chuva na minha varanda, onde uma oliveira seca permanece num vaso que lhes serve de poleiro. está uma imundice, a varanda. o filho da vizinha de cima pede-me um bolo de chocolate e o homem do pomar que lhe vá buscar as broas. eu vou fazendo tudo o que me pedem. a casa cheira a canela e o dia está todo cinzento.
a chuva é gelada. a cada gota que penetra no meu cabelo, a cada gota que toca o meu rosto, eu lembro-me de mim.
o mar pede-me os teus olhos.


