a segunda-feira é sempre arrancada a ferros. já de véspera, no domingo, recusa-se a adormecer na esperança de não atravessar para aquele dia na tentativa de fazer com que seja sempre dia de sol, nem que chova, mas dia de sol.
nunca resulta, nunca. o primeiro dia daquela semana de trabalho acorda-a com o corpo frio, esticado na diagonal na cama, sem almofada debaixo da cabeça. passa a mão pela pele, fria, e pensa nele. enrosca-se. o dia ainda não nasceu. o pássaro não cantou como na manhã de domingo. também ele recusa o primeiro dia de trabalho.
(dizes-me que ofereça flores, à segunda-feira, como se fosse uma mulher)
todas as segundas ela pensa que tem que mudar a sua vida. por isso não quer sair da cama. depois, lá para meio da manhã já se acomodou mais uma vez ao que a incomoda. é o mesmo com o início de cada mês. resolve pôr um ponto final naquela parte da sua vida, depois, os dias correm, a meio do mês resolve esperar que lhe paguem, aguenta até ao final, e no inicio recomeça tudo, mais uma vez.
as semanas iguais aos meses.
(esqueci-me de calçar meias. os pés gelam. também me esqueci de saltear as couves de bruxelas)


