sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

«Ela diz que é o contrário, que ela não pode esquecê-lo, que a partir do momento em que não se passa nada entre eles, fica a memória infernal daquilo que não acontece.»
marguerite duras

fevereiro





























todo o ano espero por elas, pelas frésias, pelo primeiro ramo de frésias que trago para casa. venho o caminho todo com o nariz enfiado nas flores, coitadas, este ano brancas, e eu a sentir-lhes o aroma e a imaginar a sala toda a cheirar a elas.

deve ter sido por elas, por ser o tempo delas, que este dia de fevereiro foi bonito. as pessoas estavam alegres e riam, até a senhora da florista, aquela que tem a cara toda marcada de queimaduras, e o couro cabeludo também, até ela riu e disse-me - então você deve ter muitas pessoas que têm inveja de si - isto só porque eu comentei que as plantas aromáticas morrem todas cá em casa. aliás, só me dou com violetas e com as frésias brancas que tenho agora na jarra, e por quem, sim, quem, que é como se fosse alguém, por quem esperei desde fevereiro passado